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Cloro, metais e cinzas: os contaminantes que mudam o projeto

São eles que decidem se o seu resíduo entra direto, se precisa de pré-tratamento ou se fica de fora. Nenhum aparece numa foto do material.

16 de setembro de 2026Leitura de 6 minutosEquipe técnica Catavolts

Poder calorífico e umidade dizem quanta energia há no material. Contaminantes dizem o que essa energia custa para ser aproveitada com segurança. São duas perguntas diferentes, e a segunda é a que mais muda o projeto.

Cloro

Presente sobretudo em PVC e em alguns resíduos de processo. Durante a conversão térmica, forma compostos corrosivos que atacam trocadores, tubulação e superfícies metálicas, e exigem tratamento específico na limpeza do gás. Teores elevados encurtam a vida útil de componentes e elevam o custo de manutenção.

A saída quase sempre é na origem: separar a fração clorada na triagem custa menos do que tratar o efeito dela na planta inteira.

Metais

Metais ferrosos e não ferrosos não convertem: ocupam volume de reator, desgastam equipamento de trituração e podem causar pontos quentes. Metais pesados, quando presentes, migram para cinzas e para o gás, o que impacta tanto as emissões quanto a destinação das cinzas.

Separadores magnéticos e de corrente parasita resolvem a maior parte do problema na linha de preparação — desde que estejam no escopo do projeto.

Cinzas

Cinza é a fração inorgânica que sobra. Teor alto significa três coisas: menos energia por tonelada, mais frequência de remoção e maior desgaste por abrasão. Em certas composições, a cinza pode amolecer na temperatura de operação e sinterizar, formando aglomerados que atrapalham a fluidização — um dos motivos pelos quais a uniformidade de temperatura do leito circulante importa tanto.

ContaminanteEfeito principalOnde se trata
CloroCorrosão e tratamento de gásTriagem na origem
MetaisDesgaste e inúteis no reatorSeparação magnética
CinzasMenos energia, mais remoçãoSeleção de corrente
Inertes (vidro, areia)Abrasão e volume mortoPeneiramento
Enxofre e nitrogênioEmissões e limpeza de gásProjeto do sistema

Um resíduo não é recusado por ser sujo. É recusado quando o custo de tratar a sujeira supera a energia que ele entrega.

O que fica de fora por padrão

Inertes, metais, resíduo hospitalar sem tratamento prévio, materiais radioativos e resíduos com alta carga de umidade não removível não entram. Resíduos classificados como perigosos pela ABNT NBR 10004 — Classe I — e materiais contaminados exigem avaliação específica e licenciamento próprio.

Toda mistura, mesmo entre correntes aceitas, fica sujeita à caracterização e à aprovação técnica daquela composição específica. É por isso que a página de CDR fala em flexibilidade com ressalva, e não em aceitar qualquer coisa.

O próximo passo

Vamos olhar o seu resíduo.

Conte o tipo, o volume e o município. Nossa engenharia devolve uma avaliação técnica de viabilidade — sem custo e sem compromisso.